
As inscrições estão abertas até Quarta-Feira, dia 20. Há opção vegetariana.






Dentro dos propósitos fundadores e estruturantes da Tertúlia Farense, cumpriu-se, mais uma iniciativa, a décima quarta, no restaurante Chalavar. A sessão contou com a presença de cerca de 30 pessoas que assistiram à intervenção de João Resende subordinada ao tema: Gentes de Faro.
Ao longo das duas horas reservadas à exposição do tema, e após um breve nota introdutória sobre a moeda corrente, o euro, o orador invocou a memória de personalidades ímpares na história da cidade.
Coelho de Melo e o episódio que protagonizou com o Marquês de Pombal, o Bispo D. Francisco Gomes do Avelar - a obra que realizou por todo o Algarve, a intervenção nas Invasões Francesas, e alguns aspectos da vida privada - , o Conselheiro Ferreira de Almeida, o Dr. Lázaro Doglioni e o Teatro Lethes, o Dr. Justino Cúmano, a família Bivar, José Maria Assis foram algumas das personalidades sobre as quais João Resende entendeu pronunciar-se.
No final da sessão Eduardo Brazão Gonçalves pediu a palavra para sensibilizar os presentes para uma realidade amarga. Samorrinha, um fotógrafo farense dos princípios do século xx, terá deixado à Câmara Municipal um espólio de cerca de 30 000 fotografias da cidade e das gentes de Faro. Por incapacidade da autarquia, para conservar e tratar esse documentos, as fotografias teriam sido enviadas para Lisboa. Eduardo Brazão Gonçalves teve a oportunidade de assistir, no Estoril, a uma exposição dedicada ao fotógrafo. A sua indignação prende-se com o facto de não haver em Faro qualquer possibilidade de aceder a essas fotografias.
Situação que se espera a autarquia venha a resolver.


A apresentação que decorreu dia 12 de Abril no Colégio do Alto (Quinta Júdice Fialho), deu a conhecer e pôs em destaque a importância das Quintas das Campinas de Faro, como elementos relevantes do património cultural da cidade, que devem ser objecto de inventariação cuidada, preservação e valorização.
Tratam-se de conjuntos, ou o que deles resta, que integram a memória colectiva da cidade reflectindo um tempo e uma forma de construir que fazem parte, indubitavelmente, da cultura da região.
As quintas, localizadas na periferia da cidade nos terrenos férteis, formavam conjuntos mais ou menos estruturados e organizados em que a casa do proprietário e restantes edifícios, terrenos de cultivo e os elementos de água (poços, noras, aquedutos, regadeiras) eram uma constante.
As quintas tinham não só uma função produtiva mas também de recreio e lazer dos seus proprietários. É exemplo máximo dessa dupla qualidade, a Quinta Júdice Fialho, que retrata a posição social e económica do proprietário, à época da sua construção, cujo prestígio era evidenciado não só pela imponência da arquitectura, exemplar raro de palácio de influência francesa, como também do exotismo das plantas presentes no jardim e na mata, e pela erudição presente nas construção que salpicavam toda a propriedade.
texto de Amélia Santos, Arquitecta Paisagista
Na tarde, do dia 12 de Abril, cerca de 40 pessoas integraram a comitiva da Tertúlia Farense que se deslocou à Quinta Júdice Fialho, onde actualmente estão instaladas as dependências do Colégio de Nossa Senhora do Alto, para assistir a uma palestra, da responsabilidade da Arquitecta Paisagista Margarida Costa, subordinada ao tema: «Quintas da Campina de Faro – Levantamento e Caracterização – O Caso Particular da Quinta Júdice Fialho».
A também Arquitecta Paisagista Amélia Santos tomou, por parte da Tertúlia Farense, o encargo de apresentar a sessão a que se seguiu uma intervenção do Padre César Chantre.
No seu discurso, o Director do Colégio, para além de dar as boas-vindas a todos os presentes, reforçou a ideia de que a instituição e a Quinta são património da cidade e, portanto, manifestou a sua disponibilidade para acolher iniciativas de manifesto interesse, e terminou agradecendo publicamente, a colaboração dos técnicos do GAT de Faro na recuperação dos Jardins, nas pessoas do seu Director, Arqtº José Brito e da Arqtª Amélia Santos.
Após a palestra seguiu-se uma visita ao Palácio e à Quinta. Durante o percurso os participantes tiveram a oportunidade de acrescentar, ao conhecimento transmitido pela Arqtª Margarida Costa, outras informações e curiosidades sobre aquele espaço. Desde a família Júdice Fialho, à construção do Palácio, à sua aquisição pela Diocese Algarvia, até à «estradinha funda», ali bem perto, a visita tornou-se um momento de saber, história e saudade...
Margarida Costa, Arquitecta Paisagista

Luís Santos
